Como lidar com o convite de trabalhar no exterior e levar a família

Como lidar com o convite de trabalhar no exterior e levar a família
Como lidar com o convite de trabalhar no exterior e levar a família

Quando a vida pessoal da mulher se resume a cuidar de si mesma, frequentar uma academia, fazer um curso extra e sair com os amigos, fica fácil imaginar que um dos promissores passos de sua carreira seja a expatriação, ou seja, trabalhar na mesma empresa em outro país.

Contudo, quando a mulher tem compromissos selados com outras pessoas, sejam elas o marido, os filhos, um relacionamento sério ou cuidar dos pais, a proposta de passar um tempo no exterior ganha outro peso, outra medida e envolve muitos outros desafios.

Além de desbravar a fronteira geográfica, cultural e social que outro país impõe, a mulher que é expatriada com sua família tem de lidar com o choque cultural que todos irão sofrer: a adaptação dos filhos na nova escola cujas disciplinas são ministradas em outro idioma, as frustrações do marido que talvez não encontre uma ocupação – caso ele tope acompanhá-la nessa empreitada -, além, claro, da solidão e da saudade que todos estão passando por causa dela.

Não é à toa que a maioria dos expatriados seja homem. Isso porque, ainda que a mulher tenha uma carreira promissora, é natural, aos olhos da sociedade, que ela deixe o emprego “na geladeira” e siga o marido. Afinal, sua ocupação serão os filhos e a casa, funções que, historicamente, já pertencem à mulher.

Segundo um relatório da consultoria Mercer, publicado em abril deste ano, a probabilidade dos expatriados serem do sexo feminino aumentou apenas 3% em dois anos, ficando o percentual médio de mulheres transferidas em 13%.

“As empresas da América Latina e da Ásia-Pacífico mostram percentuais médios de expatriadas mais baixos do que de empresas americanas e europeias. Assuntos relacionados à família como preocupações com a educação dos filhos em um novo local continuam a ser um grande obstáculo para a mobilidade de empregados. Parceiros e cônjuges podem também ter uma carreira de sucesso e não querer comprometê-la”, afirma o relatório.

De fato, nos Estados Unidos, que são tidos como um país onde as diferenças de gênero não são tão gritantes, apenas 16% do total de expatriados são mulheres, ainda que elas respondam por 46,5% da força de trabalho empregada.

O artigo “Expatriação e estratégia internacional: o papel da família como fator de equilíbrio na adaptação do expatriado”, de Neuri Amabile Frigotto Pereira; Ricardo Pimentel; Heitor Takashi Kato, publicado na Revista de Administração Contemporânea, de 2005, relata como a adaptação da família e da esposa são fatores importantes associados ao sucesso ou fracasso de expatriados em suas missões.

“A esposa do expatriado e os filhos não têm acesso à continuidade organizacional e experimentam uma interrupção nas suas vidas pessoais, nos seus relacionamentos, na rotina diária. Além disto, encontram pouca ajuda para administrar as demandas diárias em circunstâncias fora do ambiente familiar a que estavam habituados no país de origem”, afirmam os autores. (Note, leitor, que o artigo fala de “esposa” e não de “marido”, haja vista a dificuldade de se encontrar literatura sobre mulheres executivas e expatriadas com a família.)

Dessa forma, para a mulher que já tem a figura de “doméstica” estereotipada já é difícil encarar essa missão em um país estrangeiro, que dirá o marido que, além de ter de abandonar ainda que temporariamente sua carreira e ver-se dependente economicamente da esposa, terá de vestir um papel que afronta valores culturais da sociedade brasileira?

Assim, a mulher que for expatriada com a família terá de estar duplamente preparada: para enfrentar as pressões do trabalho e, principalmente, as de casa. Tarefa difícil, mas nada impossível diante dos benefícios que essa experiência internacional poderá trazer para todos.

Por Maria Carolina Nomura

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